Assinatura Gratuita Fale Conosco Newsletter:
A Revista do Tatuapé online
Ateliê
Bichos
Bichos
Celebridade
Cultura e Lazer
Cultura e Lazer
Cultura e Lazer
Cultura e Lazer
Especiais
Especiais
Especiais
Música
Perfil
Perto Daqui
Instituição
Saúde
Visão Empresarial
Julho de 2007
E viva a Vila!
A Vila Formosa surgiu de um loteamento realizado na década de 20 do século passado

Por Belisa Frangione + Fotos Ibrahim Cruz

Os 83 anos de um bairro multifacetado que jamais perde a formosura

Assim como outros bairros de indiscutível reconhecimento, a Vila Formosa, que completará 83 anos no segundo domingo de outubro, começou em um sítio: o Sítio da Casa Grande. O nome derivava de João Casagrande, proprietário do local durante 26 anos até, em 1911, ser vendido para os irmãos Jacob.Em 1920, por iniciativa de Miguel Jacob, a área foi loteada e recebeu o atual nome, que por sinal, era o antigo nome de Ilhabela, cidade litorânea de São Paulo.

A realização do loteamento foi feita em 20 anos e teve a intensa colaboração da Companhia Melhoramentos do Braz, cujo diretor-gerente era Eduardo da Fonseca Cotching.

Na década de 40, surgiram na região pequenas olarias cujos donos tinham o objetivo de contribuir com a urbanização da área. Todavia, dois grandes problemas atrasaram esse sonho dos empreendedores. Um deles era a situação financeira precária, cuja solução veio de uma estratégia de marketing, que era distribuir 30 mil tijolos a quem comprasse um terreno. O plano parece ter dado certo, pois foram levantadas, nesse ínterim, aproximadamente 200 casas.

Cemitério da Vila Formosa: um símbolo do bairro
O outro entrave foi a instalação de um lixão que recebia todo e qualquer tipo de detrito. Isso durou até 1950, um ano antes da implantação do
que é considerado um símbolo do bairro, o Cemitério da Vila Formosa, o maior da América do Sul com 780 mil m², que possui uma linha de ônibus que passa dentro dele e, no Dia de Finados, é um chamariz para toda a sorte de vendedores de velas, flores, sorvetes e até de cachaça. Tudo para receber os mais de 600 mil visitantes.

Sem falar que o cemitério também é local para coleta de parafina (setenta centavos o quilo), namorar, aprender a dirigir, empinar pipas ou pensar na existência. Bizarro? Há quem discorde com veemência. "Pelo cemitério não ter um aspecto de templo, ele é usado para outros fins. Na metrópole faltam lugares para as pessoas exercerem sua sociabilidade", explica o professor de geografia Eduardo Coelho Morgado Rezende, autor do livro "Metrópole da morte, necrópole da vida".

Respeitável público
Mas não é só a um emblema mórbido que se associa à Vila Formosa. A biblioteca municipal Paulo Setúbal, localizada na Avenida Renata, 163, tinha a idéia de fundar um centro de referência do teatro para a infância e a juventude. Em 2003, diversos grupos teatrais ministraram oficinas, espetáculos e debates para a apresentação de seus trabalhos. A idéia, infelizmente, não saiu do papel. Porém, enquanto todos os grupos iam embora, um deles resolveu ficar.

A Companhia Circo de Trapo surgiu em 2001 através do ator Marco Ponce e um amigo, que apresentavam, em escolas, peças inspiradas em palhaços de renome, como Picolino e Arrelia, e desejavam uma comunicação maior com o público.

Para realizar esse desejo, Ponce e o amigo decidiram permanecer na Vila Formosa – mais precisamente na biblioteca – uma vez que moravam e trabalhavam na região, e montaram uma oficina de técnicas circenses para ensinar a arte e a magia do circo a outras pessoas. A aceitação foi tão grande que as inscrições foram rapidamente encerradas.

"Quando terminou essa oficina, decidimos não deixar aquele espaço e mandamos um projeto para o primeiro edital da lei VAI (Valorização de Iniciativas Culturais, da Secretaria de Cultura do Município de São Paulo) e ele foi aprovado", conta o ator. O projeto consistia em trazer uma família tradicional de circo para ministrar aulas e organizar encontros com artistas e pesquisadores para a comunidade toda.

Dentre várias atividades e apresentações em diversos locais, a companhia também oferece uma oficina de produção cultural para capacitar outros grupos ou profissionais da área artística que estejam sem orientação para dar prosseguimento a algum trabalho. "Geralmente as pessoas não têm uma noção exata de como se organizar para conseguir realizar seus projetos, então, nosso grande objetivo é orientá-las nesse aspecto", explica a produtora cultural da Cia. Circo de Trapo, Fabiana Alves.

Devoção
A primeira missa celebrada na Vila Formosa foi rezada pelo Padre Jerônimo Vasmim em 1939. Em novembro do mesmo ano, o então arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar de Affonseca e Silva iniciou a construção da Paróquia e Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração, na Rua Angá, 994. De acordo com informações da Subprefeitura Aricanduva/Formosa/Carrão, o atual templo teve a sua primeira parte inaugurada em 1948 e a segunda em 1950.

A fama da igreja por todo o país se deve ao seu carrilhão, composto por 44 sinos que tocam em conjunto somente em ocasiões especiais, como no último domingo de maio, aniversário do santuário.

Atores da Companhia Circo de Trapo e Agência da Vila Formosa