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| A Vila Formosa surgiu de um loteamento realizado na década de 20 do século passado |
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Por Belisa Frangione + Fotos Ibrahim Cruz
Os 83 anos de um bairro multifacetado que jamais perde a formosura
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ssim como outros bairros de indiscutível reconhecimento, a Vila Formosa, que completará 83 anos no segundo domingo de outubro, começou em um sítio: o Sítio da Casa Grande. O nome derivava de João Casagrande, proprietário do local durante 26 anos até, em 1911, ser vendido para os irmãos Jacob.Em 1920, por iniciativa de Miguel Jacob, a área foi loteada e recebeu o atual nome, que por sinal, era o antigo nome de Ilhabela, cidade litorânea de São Paulo.
A realização do loteamento foi feita em 20 anos e teve a intensa colaboração da Companhia Melhoramentos do Braz, cujo diretor-gerente era Eduardo da Fonseca Cotching.
Na década de 40, surgiram na região pequenas olarias cujos donos tinham o objetivo de contribuir com a urbanização da área. Todavia, dois grandes problemas atrasaram esse sonho dos empreendedores. Um deles era a situação financeira precária, cuja solução veio de uma estratégia de marketing, que era distribuir 30 mil tijolos a quem comprasse um terreno. O plano parece ter dado certo, pois foram levantadas, nesse ínterim, aproximadamente 200 casas.
Cemitério da Vila Formosa: um símbolo do bairro
O outro entrave foi a instalação de um lixão que recebia todo e qualquer tipo de detrito. Isso durou até 1950, um ano antes da implantação do que é considerado um símbolo do bairro, o Cemitério da Vila Formosa, o maior da América do Sul com 780 mil m², que possui uma linha de ônibus que passa dentro dele e, no Dia de Finados, é um chamariz para toda a sorte de vendedores de velas, flores, sorvetes e até de cachaça. Tudo para receber os mais de 600 mil visitantes.
Sem falar que o cemitério também é local para coleta de parafina (setenta centavos o quilo), namorar, aprender a dirigir, empinar pipas ou pensar na existência. Bizarro? Há quem discorde com veemência. "Pelo cemitério não ter um aspecto de templo, ele é usado para outros fins. Na metrópole faltam lugares para as pessoas exercerem sua sociabilidade", explica o professor de geografia Eduardo Coelho Morgado Rezende, autor do livro "Metrópole da morte, necrópole da vida".
Respeitável público
Mas não é só a um emblema mórbido que se associa à Vila Formosa. A biblioteca municipal Paulo Setúbal, localizada na Avenida Renata, 163, tinha a idéia de fundar um centro de referência do teatro para a infância e a juventude. Em 2003, diversos grupos teatrais ministraram oficinas, espetáculos e debates para a apresentação de seus trabalhos. A idéia, infelizmente, não saiu do papel. Porém, enquanto todos os grupos iam embora, um deles resolveu ficar.
A Companhia Circo de Trapo surgiu em 2001 através do ator Marco Ponce e um amigo, que apresentavam, em escolas, peças inspiradas em palhaços de renome, como Picolino e Arrelia, e desejavam uma comunicação maior com o público.
Para realizar esse desejo, Ponce e o amigo decidiram permanecer na Vila Formosa – mais precisamente na biblioteca – uma vez que moravam e trabalhavam na região, e montaram uma oficina de técnicas circenses para ensinar a arte e a magia do circo a outras pessoas. A aceitação foi tão grande que as inscrições foram rapidamente encerradas.
"Quando terminou essa oficina, decidimos não deixar aquele espaço e mandamos um projeto para o primeiro edital da lei VAI (Valorização de Iniciativas Culturais, da Secretaria de Cultura do Município de São Paulo) e ele foi aprovado", conta o ator. O projeto consistia em trazer uma família tradicional de circo para ministrar aulas e organizar encontros com artistas e pesquisadores para a comunidade toda.
Dentre várias atividades e apresentações em diversos locais, a companhia também oferece uma oficina de produção cultural para capacitar outros grupos ou profissionais da área artística que estejam sem orientação para dar prosseguimento a algum trabalho. "Geralmente as pessoas não têm uma noção exata de como se organizar para conseguir realizar seus projetos, então, nosso grande objetivo é orientá-las nesse aspecto", explica a produtora cultural da Cia. Circo de Trapo, Fabiana Alves.
Devoção
A primeira missa celebrada na Vila Formosa foi rezada pelo Padre Jerônimo Vasmim em 1939. Em novembro do mesmo ano, o então arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar de Affonseca e Silva iniciou a construção da Paróquia e Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração, na Rua Angá, 994. De acordo com informações da Subprefeitura Aricanduva/Formosa/Carrão, o atual templo teve a sua primeira parte inaugurada em 1948 e a segunda em 1950.
A fama da igreja por todo o país se deve ao seu carrilhão, composto por 44 sinos que tocam em conjunto somente em ocasiões especiais, como no último domingo de maio, aniversário do santuário.
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Atores da Companhia Circo de Trapo e Agência da Vila Formosa |