Vinte e dois de maio de 1992. Nessa data, Maria Graça Luiza Usui (Mara) e seu marido, Sr. Kiyoshi Usui (Léo), recebem as primeiras crianças e adolescentes com problemas de risco social no Lar Dona Cotinha. E lá se vão 17 anos de dedicação. Hoje com duas unidades, ambas na Mooca, a entidade atende cerca de 50 menores com idade entre 0 e 17 anos e 11 meses, prestando-lhes a assessoria necessária em seu desenvolvimento físico e mental. Todos os programas seguem orientações e diretrizes de profissionais especializados, assegurando proteção social aos atendidos. "Ao longo do ano, aproximadamente 40% dos menores são encaminhados para adoção. Os demais voltam para suas casas. Nosso objetivo é fortalecer esses vínculos familiares e sociais, para que eles possam ser inseridos novamente na família de origem ou, se for o caso, prepará-los para fazer parte de uma família substituta", diz Mara, presidente do Lar Dona Cotinha. E completa: "A nova lei de adoção permite que a criança fique no máximo dois anos no abrigo. Então, obrigatoriamente, teremos uma solução mais rápida para todos os casos".
EDUCAÇÃO E CULTURA PARA TODOS
Por medida do Poder Judicial, através da Vara da Infância e do Adolescente e do Conselho Tutelar, os abrigados devem permanecer na casa em regime provisório. E, para inseri-los em escolas, cursos profissionalizantes e recursos comunitários, os responsáveis pelo Lar criaram métodos e técnicas individuais, conforme a necessidade do projeto a ser desenvolvido. "Além de encaminhar as crianças para o Ensino Fundamental, a entidade oferece atividades diversificadas, como balé, educação artística, informática, capoeira e atendimento psicológico", explica Mara. No leque cultural, as crianças têm acesso a cinemas, museus e teatros.
O papel da entidade é garantir os direitos definidos no ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. "Desejamos diminuir as ocorrências de desamparo, agressão e abusos familiares sofridos pelas crianças e adolescentes. Por isso estamos sempre em busca de recursos comunitários, visando à profissionalização e apoio sócio familiar", completa a presidente.
PROJETOS EM AÇÃO
No dia-a-dia da entidade, diversos projetos são desenvolvidos. Com dinâmica de grupo e palestras, todos os meses o Projeto Acolher realiza reuniões com temas como educação, saúde e trabalho, que podem ser definidos pelas próprias famílias. "De acordo com as dificuldades apresentadas no decorrer do trabalho, realizamos também encaminhamentos aos recursos comunitários", explica Mara.
Em encontros bimestrais, com uma hora de duração, apoiados por uma assistente social, o Projeto Cesta Básica busca ajudar os abrigados e suas famílias, de maneira que percebam sua responsabilidade diante da situação vivenciada. "Para as famílias receberem a cesta básica fazemos um contrato verbal com o grupo, no qual o membro se compromete a participar das reuniões do Projeto Acolher e, caso o menor seja desabrigado, os responsáveis poderão permanecer no Projeto Cesta Básica por mais seis meses, para acompanhamento da reintegração familiar", coloca Mara.
QUEM FOI DONA COTINHA
Maria Felipe da Silva, a Dona Cotinha, foi uma senhora parteira, de origem humilde, que dedicou toda sua vida a ajudar o próximo. Usava de todos os seus recursos para contribuir com a educação e as necessidades básicas de crianças, adolescentes e seus familiares desorientados com problemas sociais. Frequentemente, sua casa servia de abrigo para alguém que estivesse desamparado. Em 1989, Dona Cotinha faleceu e sua filha Maria Graça Luiza Usui, a Mara, deu seguimento ao trabalho para continuar com o sonho de sua mãe de oferecer um espaço para suprir a necessidade de crianças e adolescentes que, por algum motivo, ficaram sem amparo.
AJUDE VOCÊ TAMBÉM
Com cerca de 20 funcionários entre assistente social, educadores, cozinheiros, zelador, coordenador e técnicos, e 60 voluntários nas mais diversas áreas, o Lar Dona Cotinha recebe associados que colaboram com um valor igual ou superior a R$ 20, além dos padrinhos e madrinhas, que contribuem mensalmente com um salário mínimo e acompanham o desenvolvimento do menor. "Para participar, é preciso entrar em contato com a secretaria, preencher e assinar o cadastro de voluntário, contendo a função, horário e dia disponível para o trabalho", pontua Mara.
No dia 18 de dezembro, acontecerá a festa de encerramento, na qual as crianças ganharão duas sacolinhas de Natal, uma contendo produtos de higiene e materiais escolares e a outra com roupas e calçados. Quem quiser colaborar, deve levar os produtos até a sede do Lar Dona Cotinha.
SERVIÇO:
Unidade I - Rua Messias de Pina, 77, Mooca. Tel.: 2292-1806.
Unidade II - Rua dos Campineiros, 456, Mooca. Tel.: 2692-0565.
www.lardonacotinha.com.br