O cuidado deles com a saúde tem aumentado, mas ainda existe muito preconceito com relação aos exames que ajudam a prevenir, detectar e tratar o câncer de próstata
Por Maisa Infante
Quando o assunto é saúde masculina, os exames de prevenção contra o câncer de próstata ainda são um tabu, mesmo com os dados que comprovam o alto índice desse tipo de câncer entre os homens. Segundo a Sociedade Americana de Oncologia, estima-se uma incidência de 234.460 novos casos por ano no mundo e 27.350 mortes por ano nos Estados Unidos. No Brasil, são cerca de 50 mil casos por ano e a previsão do Inca (Instituto Nacional do Câncer) é de mais de 52 mil novos casos em 2010.
Por ser uma doença que pode ficar anos sem apresentar sintomas, o diagnóstico acaba acontecendo muito tarde, o que dificulta o tratamento. Por isso é tão importante que os homens se conscientizem da necessidade de se fazer os exames de prevenção e esqueçam os preconceitos que ainda existem.
O médico Oskar Kaufmann, especialista em cirurgia robótica em urologia, esclarece dúvidas básicas sobre a doença e fala sobre a importância dos hábitos alimentares na prevenção, os tratamentos possíveis e os sintomas nos quais os homens devem fica de olho.
A partir de qual idade o homem está mais suscetível ao aparecimento do câncer de próstata?
Depois dos 40 anos. A recomendação é que os homens com mais de 40 anos que tenham história familiar positiva para câncer de próstata, e homens com mais de 45 anos sem história familiar, façam os exames periódicos de toque retal da próstata e PSA para a detecção precoce da doença.
A genética tem a ver com o aparecimento do câncer de próstata?
A origem é desconhecida, mas presume-se que alguns fatores possam influenciar o seu desenvolvimento. Um deles é a genética, já que a incidência é maior em familiares de portadores da doença. A presença de câncer de próstata em parentes do primeiro grau aumenta a probabilidade de diagnóstico em 18%. De maneira geral, essa doença acomete cerca de 10% dos homens após os 50 anos e, à medida que a idade avança, as chances crescem, chegando a acometer cerca de 50% dos homens aos 75 anos. O fator hormonal também é importante, pois essa neoplasia regride de maneira significativa com a supressão dos hormônios masculinos, como a testosterona. Embora não seja indutora de câncer, a testosterona pode estimular o seu crescimento em homens já doentes ou com predisposição.
Quais os principais sintomas e como diagnosticar o câncer de próstata?
É um problema que não produz sintomas nas fases iniciais. Com o decorrer do tempo podem surgir dificuldades para urinar, jato urinário fraco ou aumento do número de micções. Esses sintomas são comuns nos casos de crescimento benigno, de modo que a presença deles não indica a existência de câncer, mas exige, no mínimo, uma avaliação médica. Os homens sabem que o toque digital é importante para o diagnóstico do câncer da próstata. Nesses casos, a glândula torna-se irregular e de consistência endurecida. Além do toque, dois outros exames são utilizados para identificar o câncer: dosagens do antígeno prostático específico no sangue (conhecido como PSA) e o exame de ultrassom. Atualmente, definiu-se que a melhor forma de diagnosticar o câncer da próstata é representada pela combinação de toque digital e dosagem do PSA.
Há formas de se prevenir o câncer de próstata?
A prevenção ainda não pode ser feita de forma eficiente porque não são conhecidos todos os fatores que modificam a maquinaria celular, tornando-a maligna. Estudos indicam que os hábitos alimentares podem ajudar na redução dos riscos de câncer da próstata. Nesse sentido, tem-se recomendado alimentação com baixo teor de gordura animal, comum nos países onde a incidência da doença é baixa. A ingestão abundante de tomate e seus derivados parece diminuir em 35% o risco de câncer da próstata, segundo estudo realizado na Universidade de Harvard. O efeito benéfico do tomate resultaria da presença de grandes quantidades de licopeno, um betacaroteno natural precursor da vitamina A. Finalmente, a complementação dietética com vitamina E (800 mg ao dia) e com selênio (0,2 mg ao dia) parece ter um efeito protetor contra o câncer da próstata, de acordo com dados do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, de Nova York.
Fatores externos ao organismo podem influenciar o desenvolvido da doença?
Dietas ricas em gordura predispõem ao câncer, enquanto que as ricas em fibras e tomate diminuem o seu aparecimento. São conclusões baseadas em levantamentos epidemiológicos em áreas geográficas com maior incidência de câncer de próstata. Várias outras substâncias que interferem no metabolismo dos hormônios sexuais estão sob estudos, como as vitaminas, o cádmio e o zinco. O fator ambiental também é alvo de pesquisas. Populações de baixa incidência de câncer de próstata, quando migram para áreas de alta incidência, apresentam um aumento na ocorrência de casos. Por isso, poluição, cigarro, fertilizantes e outros produtos químicos estão sob suspeita.
Muitos homens fazem os exames e o diagnóstico é próstata aumentada. O que é isso?
Grande parte dos homens, após os 60 anos, desenvolve um aumento da glândula prostática, disfunção conhecida como Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) – tumor benigno mais comum nesse segmento da população. As causas da doença não são completamente esclarecidas. Aparentemente, múltiplos fatores contribuem para o aparecimento da HPB, sendo os mais comuns a idade, fatores genéticos e endócrinos. A HPB ocorre por uma proliferação exagerada das células da zona de transição da próstata, região próxima à uretra. Entretanto, o aumento da próstata, avaliado usualmente por toque retal e ultrassonografia, não necessariamente implica na presença de sintomas urinários. Esses sintomas ocorrem apenas em condições específicas e dependem de outros fatores como doenças associadas, atividade diária e ingestão hídrica, entre outros. Nos casos mais sérios, quando a doença comprime a uretra e provoca retenção urinária, a cirurgia se faz necessária. Recentemente, chegou ao Brasil o laser Green Light, que têm mostrado resultados tão eficientes quanto os métodos tradicionais, com vantagens em relação ao tempo de internação e de recuperação pós-operatória, pois é um procedimento ambulatorial.